As 5 Etapas do Plano de Execução BIM
Da definição dos objetivos ao mapa de processos: a metodologia que estrutura o BEP.
Resumo
Comprar software não implanta BIM. A pergunta que abre um projeto bem planejado não é qual ferramenta será usada, e sim qual informação será produzida, por quem, em que ordem e para apoiar qual decisão. Antes de ser tecnologia, o BIM é um processo de gestão da informação, e todo processo precisa ser desenhado antes de ser executado.
Esta publicação percorre as cinco etapas que estruturam um Plano de Execução BIM, o BEP, de BIM Execution Plan, na sequência proposta pelo BIM Project Execution Planning Guide do Computer Integrated Construction Research Program, da Pennsylvania State University: definir os objetivos BIM, selecionar os usos do modelo, desenhar o processo, definir as trocas de informação e planejar a infraestrutura.
O centro do conteúdo está na terceira etapa. É no mapeamento de processos, do mapa geral aos mapas detalhados por disciplina, que o BEP deixa de ser uma declaração de intenções e passa a dizer quem faz o quê, em que sequência, com qual ponto de verificação e qual dado é gerado a cada passo. Na sequência vêm as regras de troca, a infraestrutura, os papéis e a aplicação no canteiro.
Este conteúdo é complementar à publicação Plano de Execução BIM (BEP), que apresenta o conceito, os cinco pilares e a função do documento. Lá está o que o BEP é e por que ele existe; aqui está como ele se constrói, etapa por etapa.
Palavras-chave
- Plano de Execução BIM
- BEP
- Cinco etapas do BEP
- Mapeamento de processos BIM
- Mapa de processo
- Usos BIM
- Trocas de informação
- LOD
- CDE
- Coordenador BIM
- BIM 4D
- BIM 5D
- As-Built
- Planejamento de obras
BIM é processo, não apenas software
A implantação do BIM costuma começar pela compra da licença e terminar na frustração de descobrir que o modelo bonito não mudou a rotina da obra. O motivo é simples: BIM é um processo de gestão da informação, e um processo não se instala junto com um instalador.
Esse processo se apoia em três dimensões que precisam avançar juntas. Quando qualquer uma delas fica para trás, a informação deixa de ser confiável e o modelo volta a ser apenas uma representação tridimensional.
- Pessoas Colaboração, capacitação e mudança cultural.
- Processos Fluxos de trabalho mapeados e padronizados.
- Tecnologia Softwares, hardware e infraestrutura.
Base confiável de informações. Na interseção das três dimensões, o modelo deixa de ser um entregável isolado e passa a funcionar como uma base contínua de dados para apoiar decisões.
Essa base atravessa o empreendimento inteiro. A informação nasce na concepção, amadurece no projeto, orienta a execução e é entregue para quem vai operar o edifício por décadas:
- Concepção Requisitos e restrições do empreendimento
- Projeto Modelagem, coordenação e compatibilização
- Obra Sequência construtiva, logística e controle
- Operação Manutenção e gestão do ativo construído
O erro comum e a resposta do BEP
Existe um caminho conhecido para desperdiçar um investimento em BIM: usar o modelo apenas como representação tridimensional visual. A maquete impressiona na reunião, mas não define regra nenhuma de trabalho.
O erro comum. Usar o BIM apenas como modelagem 3D visual. O resultado aparece depois, em custos extras, retrabalhos e atrasos causados por falta de alinhamento entre quem projeta, quem executa e quem decide.
A resposta a esse erro não é mais software: é um plano. O BEP transforma a tecnologia em um processo gerenciável, e o efeito prático aparece em quatro frentes.
-
Redução de retrabalhos
Conflitos físicos entre disciplinas são antecipados no ambiente virtual, antes de virarem quebra de parede.
-
Comunicação clara
Expectativas e escopo ficam alinhados entre todos os envolvidos, no mesmo documento e nos mesmos termos.
-
Apoio à decisão
Dados precisos, extraídos do modelo, sustentam escolhas de projeto, de compra e de execução.
-
Integração total
Projeto, obra e operação passam a compartilhar a mesma informação, sem recomeçar a cada fase.
O documento mestre: quatro perguntas
O BEP é o documento mestre do projeto. Ele não descreve funcionalidades de software: ele responde, por escrito e antes do início dos trabalhos, quatro perguntas que definem a rotina de todos os envolvidos.
-
Objetivos
Quais metas do projeto serão atendidas com o uso do BIM?
-
Responsabilidades
Quem faz o quê, e quando cada entrega precisa estar pronta?
-
Colaboração
Como a equipe vai trocar dados e se comunicar ao longo do projeto?
-
Informações
Quais dados e entregáveis serão efetivamente produzidos?
O BEP define como o BIM será utilizado, transformando a tecnologia em um processo gerenciável.
A metodologia: as cinco etapas
Existe uma sequência consagrada para construir um BEP, estruturada pelo BIM Project Execution Planning Guide, do Computer Integrated Construction Research Program da Pennsylvania State University. São cinco etapas encadeadas, e a ordem importa: cada uma só faz sentido depois da anterior.
- Objetivos BIM O valor esperado do investimento
- Usos do modelo Como atingir as metas definidas
- Processo BIM Mapeamento dos fluxos de trabalho
- Trocas de informação O que entregar, para quem e quando
- Infraestrutura Apoio técnico e gerencial para sustentar tudo
A lógica da sequência: não dá para escolher os usos do modelo sem saber os objetivos, nem desenhar processos sem saber quais usos serão adotados, nem dimensionar infraestrutura sem conhecer o processo que ela precisa sustentar.
Etapa 1: definir os objetivos BIM
A equipe precisa definir por que o BIM será usado antes de iniciar qualquer modelagem. Sem objetivo declarado, todo esforço de modelagem vira gosto pessoal e toda cobrança vira discussão.
Os objetivos funcionam como o painel de metas do empreendimento e costumam se organizar em cinco frentes:
-
Tempo
Reduzir prazos de planejamento e de execução.
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Custo
Extrair quantitativos automáticos e precisos a partir do modelo.
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Qualidade
Melhorar a compatibilização entre disciplinas e mitigar erros de projeto.
-
Produtividade
Otimizar a logística do canteiro e a pré-fabricação de componentes.
-
Operação
Apoiar a manutenção e o Facility Management, a gestão do edifício em uso.
Um objetivo BIM útil é verificável. "Melhorar a qualidade" não orienta ninguém; "eliminar interferências entre estrutura e instalações antes da liberação de cada pavimento" orienta a modelagem, a coordenação e a cobrança.
Etapa 2: selecionar os usos do modelo
Definidos os objetivos, a pergunta passa a ser prática: o que exatamente será feito com o modelo para alcançá-los? Cada resposta é um uso BIM, e os usos se distribuem pelas fases do empreendimento.
Planejamento e projeto
- Autoria do modelo
- Revisão de projeto
- Coordenação 3D
- Análises de engenharia
Construção, a obra
- Planejamento 4D, a dimensão do tempo
- Orçamento 5D, a dimensão do custo
- Logística de canteiro
- Fabricação digital
Operação
- Modelo As-Built, como construído
- Gestão de ativos e manutenção
O projeto não precisa ter todos os usos. Selecione apenas os que atendem aos objetivos definidos na Etapa 1. Adotar usos que ninguém pediu custa horas de modelagem que ninguém vai consumir.
Começar com o fim em mente
Esta é a regra de ouro do planejamento BIM, e ela contraria o hábito. Em vez de começar pelo que será modelado primeiro, a equipe começa pelo destino final da informação e volta no tempo até o contrato.
Sentido do raciocínio: do fim para o início
-
Operação, o fim
Quais dados o cliente final precisa gerenciar depois da entrega?
-
Construção
Como a obra vai usar esses dados para logística e execução?
-
Projeto
Como a engenharia deve modelar para gerar esses dados com precisão?
-
Planejamento, o início
Como devemos estruturar o contrato desde o primeiro dia?
Quem modela no início precisa saber como a informação será usada no futuro.
É esse raciocínio invertido que impede o desperdício mais silencioso do BIM: modelar com um nível de detalhe altíssimo aquilo que ninguém vai consultar, e deixar sem informação justamente o dado que a manutenção pediria cinco anos depois.
Etapa 3: desenhar o processo BIM
Esta é a etapa que separa um BEP vivo de um BEP decorativo. O plano utiliza mapas de processo para indicar como os usos BIM se conectam e como a informação flui entre eles.
Um mapa de processo responde quatro coisas ao mesmo tempo: o que é feito, quem faz, onde a qualidade é verificada e qual informação sai de cada passo. Veja a estrutura de um fluxo simples de coordenação:
Não Se as metas de qualidade não forem atingidas, o fluxo retorna ao desenvolvimento do modelo. O ciclo se repete até a aprovação.
- Atividade Desenvolvimento do modelo inicial Responsável: Equipe de Projeto
- Atividade Revisão de coordenação 3D Responsável: Coordenador BIM
- Decisão Verificação de qualidade As metas foram atingidas? Sim segue, não retorna
- Atividade Entrega do modelo final e dados Responsável: Coordenador BIM
Geração de dados: Modelo BIM em LOD 300, o nível de detalhamento com elementos coordenáveis, acompanhado dos relatórios de dados do projeto.
Todo mapa de processo se escreve com o mesmo pequeno vocabulário. Reconhecer os quatro símbolos basta para ler qualquer fluxo do BEP:
- AtividadesO que é feito e quem faz.
- Decisões, os gatewaysPontos de verificação de qualidade que liberam ou devolvem o trabalho.
- Geração de dadosQuais modelos e informações são entregues em cada passo.
- SequênciaA ordem cronológica em que tudo acontece.
Mapa geral e mapas detalhados
O mapeamento acontece em dois níveis, e confundir um com o outro é a causa mais comum de mapas inúteis: ou ficam genéricos demais para orientar alguém, ou detalhados demais para caber em uma visão de conjunto.
Mapa Geral BIM Visão macro
Mostra a sequência global e a interação principal entre os usos BIM ao longo de todo o ciclo de vida. É o mapa que o cliente e a diretoria leem para entender a lógica do projeto.
- Modelagem Autoria por disciplina
- Coordenação 3D Modelo federado e conflitos
- Planejamento 4D Sequência construtiva no tempo
Mapas Detalhados Visão micro
Mostram o fluxo de trabalho interno de um uso BIM específico. É aqui que entram as raias por agente, contratante, coordenação, arquitetura, estrutura e instalações, os gateways de aprovação, os retornos por reprovação e os documentos gerados em cada ponto. O mapa detalhado define o passo a passo, os softwares e as tarefas diárias de cada disciplina.
O mapa detalhado é o documento mais consultado de um BEP em operação. É nele que a equipe descobre, sem reunião, de quem é a próxima tarefa e o que precisa estar pronto para que ela comece.
Etapa 4: definir as trocas de informação
Com o processo desenhado, aparecem os pontos em que a informação muda de mãos. Cada um desses pontos é uma troca de informação, e o objetivo é sempre o mesmo: garantir que a pessoa certa receba o dado certo, na hora certa e no formato que ela consegue usar.
Uma troca mal definida é a origem do velho "recebi o arquivo, mas não consigo trabalhar com ele". Por isso cada troca prevista no BEP responde a seis perguntas:
Checklist de troca de informação
- Autor
- Quem produz a informação?
- Receptor
- Quem precisa dela para trabalhar?
- Tempo
- Quando deve ser entregue, em qual marco do projeto?
- Formato
- Qual software ou extensão, por exemplo IFC ou o formato nativo da ferramenta de autoria?
- Nível de detalhe, o LOD
- Quão profunda precisa ser a geometria e a base de dados associada?
- Finalidade
- Para que este dado será usado depois de recebido?
A última pergunta é a que economiza mais horas. Quando a finalidade está declarada, o autor sabe onde parar de detalhar, e o receptor sabe o que pode cobrar.
Etapa 5: planejar a infraestrutura BIM
A última etapa cuida da base física, tecnológica e gerencial necessária para sustentar tudo o que foi desenhado. Sem ela, o processo existe no papel e trava na prática, no computador que não abre o modelo federado ou na pasta compartilhada em que ninguém sabe qual é a versão válida.
Fluxo do projeto, sustentado pelo BEP Decisão · Dados · Processo
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Tecnologia
Softwares homologados e hardware com capacidade adequada ao porte dos modelos.
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Ambiente Comum de Dados
A plataforma, o CDE, que centraliza arquivos, versões e comunicação do projeto.
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Padrões e contratos
Nomenclaturas, diretrizes de modelagem, coordenadas compartilhadas e escopo contratual.
-
Colaboração
Protocolos de qualidade, a detecção de conflitos, com frequência e pauta definidas para as reuniões BIM.
Entre os quatro, o pilar de padrões e contratos é o que mais costuma ser adiado, e o que mais cobra depois. Nomenclatura combinada e coordenadas compartilhadas resolvem, no primeiro dia, problemas que sem elas reaparecem em cada federação de modelos.
Responsabilidades no BEP
Um processo sem dono não acontece. O BEP nomeia os papéis, e o desenho é sempre o mesmo: uma coordenação no centro, conectada por trocas de dados a todos os demais agentes.
Coordenador BIM
Orquestra o BEP, audita os modelos entregues e resolve os conflitos entre disciplinas. É quem mantém o plano vivo depois da assinatura.
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Cliente e incorporador
Define os requisitos iniciais e os usos desejados para o empreendimento.
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Projetistas
Autoram os modelos seguindo as regras de troca de informação acordadas.
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Planejador e construtora
Integram os modelos ao cronograma, o 4D, e aos custos, o 5D.
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Fornecedores e operação
Alimentam os dados finais, o As-Built, para a gestão predial do edifício em uso.
Aplicação do BEP no planejamento de obras
Todo o esforço das cinco etapas se paga no canteiro. Quando o plano foi construído com o fim em mente, a obra recebe informação pronta para uso, e não arquivos para interpretar.
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Simulação 4D
Apoio visual ao cronograma e ao plano de ataque, com a sequência construtiva vista antes de acontecer.
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Logística de canteiro
Posicionamento virtual de gruas, acessos e estoques antes da primeira movimentação real.
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Extração 5D
Quantitativos precisos e rápidos para o setor de compras, extraídos do próprio modelo.
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Compatibilização
Execução sem surpresas, com furos e passagens de instalações resolvidos ainda no modelo.
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Obra conectada
Modelos acessíveis em tablets no canteiro, para que a equipe entenda o projeto onde ele é executado.
Conclusão: a equação do sucesso BIM
O sucesso do BIM não depende apenas da compra de softwares. O BEP é o mapa que garante que a tecnologia gere produtividade real, informações confiáveis e integração ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento.
- Softwares
- Planejamento
- Processos claros
- Responsabilidades
Sucesso BIM
Revisitando o caminho, cada etapa responde a uma pergunta que a anterior deixou aberta:
- Etapa 1
- por que vamos usar o BIM neste projeto
- Etapa 2
- o que faremos com o modelo para chegar lá
- Etapa 3
- em que ordem, por quem e com qual verificação
- Etapa 4
- o que muda de mãos, quando e em qual formato
- Etapa 5
- o que precisamos para sustentar tudo isso
Nenhuma das cinco etapas exige uma ferramenta nova. Todas exigem uma decisão tomada antes do primeiro modelo.
Antes de abrir o software na próxima obra, percorra as cinco etapas e responda:
Quem faz o quê, quando, em qual formato e para qual decisão?
Fonte do conteúdo
Conteúdo desenvolvido pela FABIM a partir da apresentação "Plano de Execução BIM (BEP): como planejar a implementação do BIM em projetos e obras", de autoria do Professor Fabio Costa. A metodologia das cinco etapas segue a estrutura da referência abaixo.
- MESSNER, J.; ANUMBA, C.; DUBLER, C.; GOODMAN, S.; KASPRZAK, C.; KREIDER, R.; LEICHT, R.; SALUJA, C.; ZIKIC, N. BIM Project Execution Planning Guide, Version 3.0. Computer Integrated Construction Research Program, The Pennsylvania State University.
Observação Termos como LOD, CDE, As-Built e gateway são apresentados conforme o uso corrente de mercado. O fluxo de coordenação e o mapa de processo mostrados aqui são exemplos didáticos: a aplicação a projetos concretos deve considerar as condições contratuais, as disciplinas envolvidas e as necessidades de cada empreendimento.
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